LANÇAMENTO EM BREVE!!!

COSMOLOGIA AFRO-BRASILEIRA RESSIGNIFICADA

ADRIANO TRAJANO

Na construção da cosmologia religiosa afro-brasileira, o personagem Exu desde as terras africanas até chegar ao contexto brasileiro, sofreu várias interpretações pejorativas das religiões monoteístas e por parte dos negros praticantes da modalidade religiosa iorubá e fon na Bahia, que também questionavam seu aspecto dúbio identificando-o como um “demônio” ou como uma “divindade do mal”, sobretudo, a partir do século XVIII no contexto baiano. Os traços africanos do Orixá Mensageiro se transformaram no território brasileiro. Percebe-se aqui uma religião que traz em seu bojo cultural elementos do índio, do negro e do europeu. Quanto a Exu, irá persistir a imagem do Diabo, de uma divindade travessa e difícil que faz a ligação entre o sagrado e o profano, cujo altar fica separado por uma cortina dos outros cultos e que também foi feminizado. Este esquema encaixou perfeitamente nos rituais e no modo de pensar dos adeptos dessas religiões a partir do início do século XIX e com o ressurgimento ou sistematização da Umbanda no início do século XX, e seu posterior desenvolvimento. O culto aos Espíritos/Entidades nas Casas de Cultos afro-brasileiras ocupará lugar de destaque no religioso vivido e sentido no cotidiano das Casas com uma fluidez ritualística marcante. Têm-se espaços de práticas multifacetados e em pleno estado de metamorfose sociorreligiosa, permeados por recontextualizações e ressignificações ritualísticas. Os paradoxos históricos existentes no âmbito da chamada “linha de esquerda” da religião, marcados pela sua imprevisibilidade, sexualidade desenfreada e papel provocador, atenuados no Brasil, acabaram provocando a “difícil demarcação”, “linha de direita” e “linha de esquerda” no campo ético, principalmente a partir dos anos de 1960. Da empreitada católica e kardecista aos congressos espíritas e escritos justificadores da retirada dos “personagens da esquerda” do panteão afro-brasileiro, das discórdias no campo ético da religião às opiniões divergentes ao longo de décadas, as religiões afro-brasileiras perduraram sob a proteção do Mensageiro e do sambar miúdo da Mulher da liberdade.

​ISBN: 978-85-52962-36-6

Nº de pág.: 226

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