ESTUDO E MILITÂNCIA

NA SOCIEDADE DE CLASSES

JEAN PAULO PEREIRA DE MENEZES

NATALY BATISTA DE JESUS (Org.)

A construção de uma coletânea não é apenas a junção física de vários textos. Trata-se de uma tarefa desafiadora a apresentação ao público de leitores um trabalho como esse. É preciso deixar claro o objetivo de um livro com este perfil. Aqui, todos os capítulos possuem um sentido, pois cada um deles dialoga com tema central: estudo e militância na sociedade de classes.

Socializamos assim, parte de um conjunto de preocupações, onde cada autora e autor pode desenvolver suas contribuições sobre diversas questões na sociedade de classes, repleta de contradições. Todos os capítulos foram escritos a partir de um lugar da sociedade, não há neutralidade alguma neste trabalho, pois todos aqui reivindicam o socialismo revolucionário, todos são militantes. Esta característica é central para o leitor localizar o trabalho que tem em mãos agora: trata-se de um livro escrito por trotskystas, com suas virtudes e limites, nos honramos disso.

Vivemos no momento de maior decadência da sociedade capitalista. A crise mundial do capital avança de forma destruidora sobre as vidas da classe trabalhadora e não descansa um só minuto para tentar nos afastar da luta revolucionária contra a burguesia. O assédio do capital tenta colocar os trabalhadores em uma posição de subserviência aos ditames dos interesses da classe dominante. Nós, não aceitamos este comportamento!

A burguesia e suas colaterais reformistas, insistem em um falatório que há muito tempo diz que estudar e militar são coisas separadas. Supostamente se faz uma coisa ou outra. Nós respondemos aqui neste livro: Isso não é verdade! A história demonstra totalmente que a realidade é outra, pois os intelectuais da burguesia, desde seu período revolucionário ao reacionário de hoje, jamais pensaram e agiram assim. A verdade é que essa mesma classe burguesa prega a separação entre estudo e militância apenas para os trabalhadores e seus filhos.

A tradição revolucionária que defendemos também não separa a formação teórica da ação política prática. Acreditamos que teoria e prática se fundem, assim como ferro e o carbono que dá vida ao aço. Chamamos isso se práxis, ou seja, ação transformadora da vida. Para nós, não há o tempo de ficar estudando e o tempo de ficar militando. Estudo e militância fazem parte da mesma via, como o caro leitor verá logo no capítulo primeiro deste livro.

Este livro é uma ferramenta, as ferramentas são fundamentais para os trabalhadores. Imaginem um mecânico sem sua caixa de ferramentas... para trabalhar, teria que pedir emprestado e assim mesmo nem sempre conseguiria todas as ferramentas para fazer determinadas tarefas. Pensemos ainda um trabalhador da construção civil, um pedreiro... como poderia nivelar a parede sem um prumo, uma mangueira, etc? Teria que fazer no olho... e a probabilidade de ficar tudo torto é elevada. As ferramentas são tão importantes que durante a história do capitalismo, a burguesia desde o inicia tratou de retirar elas das mãos de toda classe trabalhadora. Sem ferramentas nos resta a força de trabalho para vender.

Assim como fez com os instrumentos de trabalho durante toda história do capitalismo, ainda hoje, a burguesia e suas colaterais reformistas, continuam tentando tirar da classe trabalhadora todo tipo de ferramenta, do martelo ao livro!

Estamos aqui para oferecermos uma ferramenta aos trabalhadores e trabalhadoras. Um tipo de ferramenta diferente de uma trena ou capacete, mas tão importante quanto eles.

A classe dominante tenta, mas não consegue totalmente, nos oferecer porcarias, livros de autoajuda, livros que prometem 7 passos para o sucesso, ou ainda, 14 formas de ficar rico...tudo balela. Neste caso, não são livros ferramentas como este aqui, mas mercadorias vazias de conteúdo que realmente contribuam para que o trabalhador entenda a crise, a reforma trabalhista já aprovada, o salário, a reforma da previdência que estão tentando aprovar e o principal, que é o fato de que apenas a classe trabalhadora organizada pode mudar a sua vida.

Diante disso, os capítulos foram sistematizados para que o leitor pudesse acessar um debate lógico que atravessa constantemente o tema estudo e militância e sua importância na sociedade que vivemos.

No capítulo I, Natália Estrada nos apresenta um importante relato, juntamente com problematizações sobre a importância de estudar e militar, que estes dois aspectos andam sempre juntos. Para isso a autora aborda a partir da Argentina a luta da classe trabalhadora e a compreensão do mundo que vive e luta. No capítulo II, Nataly Batista de Jesus aborda o tema apresentando-nos um debate que a tradição revolucionária por muito tempo se negou a fazer, principalmente após o desenvolvimento do stalinismo na URSS. A questão das mulheres, a opressão e a necessidade de emancipação humana é desenvolvida a partir de considerações históricas fundamentais. No capítulo III, Alejandro Iturbe apresenta um debate sobre a questão do desemprego como elemento central do capitalismo. No capítulo IV, o leitor se deparará com a contribuição de Áurea de Carvalho Costa, sobre a questão do partido revolucionário e a sua importância na organização da luta dos trabalhadores. O capítulo V, escrito por Marcelo Ribeiro Mendonça, aborda a questão da aliança da terra-capital e o desenvolvimento desigual e combinado do capitalismo e a revolução socialista. O capítulo VI, escrito por Vitor Wagner Neto de Oliveira, o leitor tem acesso ao debate sobre o etnocídio e resistência indígena na história do Brasil, na perspectiva socialista revolucionária, como leitura militante e não diletante. Jean Paulo Pereira de Menezes, no capítulo VII, apresenta algumas palavras sobre o tempo presente em Marx e a importância de estudar e militar, como é abordado no capítulo I: uma estrada de duas vias. O capítulo VIII, desenvolvido por Antonio Rodrigues Belon, trata de apresentar dois intelectuais importantes, estabelecendo uma relação entre Itália e Brasil: Gramsci e Alfredo Bosi. Daniel Henrique Rodrigues apresenta ao leitor o conceito de ditadura do proletariado, assunto negado pela esquerda reformista, colocando ao leitor um acesso sobre o tema tão importante para a esquerda revolucionária. Finalizando a coletânea, Tamara Cardoso André nos apresenta Vygotski com uma leitura sobre alfabetização e diversidade linguística enquanto práxis, mais uma vez afirmando a importância de um livro como este, que se preocupa em apresentar que teoria e prática não são separadas. Estudo e militância devem acontecer ao mesmo tempo que nos organizamos para mudar a vida. Agora, nosso leitor deve seguir e conhecer o conteúdo deste livro escrito para ser uma ferramenta de luta.

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